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Entrevista com Ricardo Vieira

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Rico-Vieira-entrevistaRicardo Vieira é um dos mais talentosos competidores de Jiu Jitsu de todos os tempos, com vários títulos mundiais e nacionais. Ricardo, ou Rico como seus amigos o chamam, ficou afastado do top do Jiu Jitsu internacional após uma série de lesões nos joelhos e cirurgia nos rins, isso aliado ao fato de Rico ter apontado o seu foco para os seus alunos e sua academia (Ricardo é uma das principais figuras da academia Checkmat), no Rio de Janeiro. Mais recentemente, Vieira foi convidado para lutar o ADCC, a mais prestigiante competição de No Gi (submission) do mundo. Devido a essa grande novidade, nós nos reunimos com Rico para saber mais sobre esta notícia emocionante.

Ricardo Vieira, Entrevista:  “A vitória ou a medalha de ouro é importante para meus companheiros de treino saberem que o trabalho deu certo”

Esse convite foi algo surpreendente para alguns fãs do esporte que pensavam que você estaria aposentado do Jiu Jitsu competitivo. você esperava esse convite?

RV: Não passava pela minha cabeca. Ja venho focado em outros objetivos de vida; Família, academia, saúde. E de repente essa novidade. Um sonho que eu tinha á uns 10 anos atrás e agora chega a oportunidade. Não e a hora que eu queria, mas é um sonho. Um Sonho de competir um evento onde só os melhores vão. Então não vou deixar de realizar esse sonho e me divertir ao máximo com essa oportunidade. Uma pena estar muito em cima da hora do evento, não terei tempo de me preparar suficiente. Minha saúde não e mais de um atleta. Mas vou fazer o possível pra me preparar.

Pelo que li, você tera sido convidado para lutar o ADCC em 2011 tambem. O que aconteceu em 2011 que nao permitiu que você lutasse o evento?

RV: Convidado? Claro que não fui. Estava como treinador do meu irmão e no dia da passagem rolou uma vaga. Dai me perguntaram se eu gostaria de lutar. Claro que eu gostaria. Mas não daquela forma. Sem prestigio nenhum. Não quero ser usado como tapa buraco. Sei que agora não estou na minha melhor forma. Mas só o fato de ser convidado é um sinal de respeito pelo o que fiz na minha história dentro da luta. Não poderia aceitar uma luta sem ser respeitado pelo o que fiz. Infelizmente não estou vindo na minha melhor forma física. Mas os momentos que antecedem o evento são os melhores… Os incentivos dos alunos, apoio da equipe e família. Essa parte é o que fica guardado no meu coração. São os meus melhores momentos. A vitória ou a medalha de ouro é importante para meus companheiros de treino saberem que o trabalho deu certo. Mas a minha vitoria é diária após cada treino feito e cada gota de suor escorrido.

Você é visto mais como um lutador de pano, 9x campeão mundial de kimono (embora tenha ganho o Brasileiro o ano passado de No Gi). O que você esta mudando no seu treinamento para o ADCC?

RV: Infelizmente não posso mudar nada. Tenho alunos que poderiam me transformar em máquina. Nutricionistas, preparador fisico, médicos. Porém tenho minhas obrigações diárias. Chefe de família, empresário, professor, muita responsabilidade me cerca. Não posso abrir mão de tudo por um evento onde hoje não e mais o meu objetivo. Meu objetivo hoje e realizar sonhos dos meus alunos… e manter o padrão de vida equilibrado. Não e fácil pra quem sobrevive da luta. Tenho que me manter forte ao trabalho para manter as coisas em ordem (contas pagas) e assim administrar todos os dias os problemas que vem e vão.

O seu irmão (Leozinho) bem como o Buchecha estao treinando nos Estado Unidos com os atletas da Checkmat/AKA, você não estará viajando para os EUA para completar o seu treinamento lá?

RV: Como falei anteriormente não e possível ficar tanto tempo longe das coisas que me cercam. Principalmente família. Com certeza lá e o melhor lugar para me preparar para a vitória, mas não lutaria com alegria longe da minha família tanto tempo. Quero lutar com alegria e feliz por estar ali. Sem ganância e foco na vitoria. Quero poder mostrar a minha técnica o suficiente para o evento perceber o quanto perderam me chamando somente agora.

Você será um dos atletas mais leves da categoria, você encara isso como uma vantagem ou uma desvantagem (rapidez vs forca)?

RV: Tudo é uma desvantagem pra mim se eu for pensar na vitória. Hoje tenho varias limitações, não posso supri meu corpo com suplementos pois ja operei meu rin e não posso ingerir proteína, creatina e assim vai. RS sem dizer a idade e o corpo todo machucado das guerras que tive que enfrentar na minha trajetória. Tenho 34 anos e comecei a competir as 7 anos. Imagina como eu me sinto ao final de cada dia de treino e trabalho.

Você é visto por muitos como o representante do Jiu Jitsu “fluido”, um lutador que não faz amarração, algo que algumas das novas posições tem proporcionado aos espectadores nos últimos tempos. você pensa que terá de alterar alguma coisa no seu modo de lutar para se adaptar ao jiu jitsu “moderno”.

RV: Esse e o meu grande medo. Gosto de “lutar”. Não gosto desse Jiujitsu moderno. Sou do tempo onde íamos para a academia treinar pra campeonato. Hoje as pessoas vão para internet estudar as regras e assim traçar estratégicas. Vou tentar mostrar meu Jiujitsu sem Kimono e se possível Ser Superior aos meus adversários. Vou enfrentar os melhores lutadores do mundo…estou muito feliz . Mas vou seguir com minha estratégia. “Porrada” RS

Depois dessa experiencia no ADCC, você planeja competir mais regularmente de novo?

RV: Não… Parei! A não ser que seja um contrato muito bom. Vou aproveitar essa oportunidade para me despedir dos meus fans. Como disse minha mulher.” você ja fez o que tinha que ser feito na luta, então não se sacrifique” infelizmente ela está certa. E dificil aceitar essa idéia. Mas o meu corpo pede diariamente para que eu pare. Tenho medo da minha velhice, quero poder ser um velho ativo e brincalhão. E do jeito que levo minha vida. Não sei se isso e possível.

Agora mudando um pouco de assunto, você é um dos mais conceituados professores de jiu jitsu que se manteve no Rio de Janeiro. Como você ve essa migracao de instrutores para o exterior e como você ve o estado do jiu jitsu no Rio de Janeiro hoje, e como as competicoes Brasileiras se comparam com as de fora?

RV: Me considero um cara abençoado demais. Acredito que abracei as oportunidades que deus me deu e me dediquei 100%. Fui e sou muito trabalhador. Não descanso im so minuto. Com isso conseguir me estabelecer no rio de janeiro. Essa migração e devido a dificuldade de trabalho aqui no Brasil. Tudo te joga contra. Educacao, saúde, impostos…. Dificil se manter aqui. Com isso perdemos grandes nomes e professores para o mundo. E com isso os grandes eventos também vão. Mundial e etc. Uma pena para quem fica… Mas to aqui para ajudar quem ficou. E existe grandes professores que ficaram também. Então vamos continuar treinando. RS

Foto de Sabrina Vasconcelos

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