A Historia do Jiu Jitsu, Academias, Mestres, Competidores, Resultados das Maiores Competições e as Últimas Novidades

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Muitos atletas sonham em se tornar um dia uma lenda do seu esporte, pois Murilo Bustamante conseguiu atingir esse estatuto em dois dos mais exigentes esportes do mundo, o Jiu-Jitsu e o MMA. Murilo Bustamante foi uma das estrelas do famoso time do Mestre Carlson Gracie na decada de 1990, considerado um dos melhores time de Jiu-Jitsu de sempre. Seguiu sua carreira no MMA e formou um dos times mais fortes que o mundo já tinha visto, a Brazilian Top Team (BTT), que lidera até hoje.

Murilo Bustamante Jiu-Jitsu & MMA

Nome Completo: Murilo Bustamante

Apelido: N/D

Linhagem: Mitsuyo Maeda> Carlos Gracie > Carlson Gracie > Murilo Bustamante

Principais Conquistas:

  • Campeão Mundial (1999)
  • Campeão Brasileiro (1999 absoluto)
  • Medalha de Prata no Mundial (1996)
  • Semifinalista do ADCC (1999)
  • Campeão do Peso Médio do UFC (2002)

*Após derrotar Ricardo Almeida, Bustamante não conseguiu prosseguir devido a contusão.

Categoria de Peso: Pesado (94kg) No Jiu Jitsu

Academia: Brazilian Top Team

Biografia de Murilo Bustamante

Murilo Bustamante nasceu no dia 30 de Julho de 1966 na zona do Arpoador, no Rio de Janeiro. Sendo criado com um pé na praia, não foi surpresa que Murilo quisesse ser surfista profissional quando era jovem, mas o mundo tinha outros planos para ele. Crescendo nas duras ruas do Rio de Janeiro, a primeira memória de uma luta de Bustamante, foi com apenas 10 anos de idade e pouco tempo depois começou o seu treinamento de Jiu-Jitsu começou, imediatamente com o lendário Mestre Carlson Gracie. A competição começou com 15 anos de idade, mas reparando em algumas falhas no seu jogo cedo adicionou o Judô ao seu regime de treinos. Quando tinha 18 anos, Bustamante decidiu começar a aprender boxe, escolhendo Claudio Coelho, um treinador de boxe famoso que rapidamente se tornou seu amigo pessoal e o acompanhou em todas as lutas da sua carreira.

Em 1991 Murilo Bustamante participou de um dos mais lendários desafios de Vale-Tudo de sempre e a partir daí parecia que ele estava destinado aos grandes eventos para o resto da sua vida. O evento foi o “Desafio – Jiu-Jitsu vs. Luta Livre”. Em jogo estava a honra das duas formas de luta, que tinham uma acesa rivalidade que já vinha de algumas décadas no Brasil, causando várias brigas na rua, espancamentos e invasões de academias pelas duas partes no Rio de Janeiro. A ideia era colocar 3 lutadores de Jiu-Jitsu para lutar contra 3 lutadores de Luta Livre num ringue e o estilo marcial que vencesse o maior número de combates saíria o vencedor. Murilo Bustamante foi um dos lutadores de Jiu-Jitsu escolhidos, junto com Wallid Ismail e Fábio Gurgel. Os 3 praticantes da arte suave venceram as suas lutas, terminando assim com a richa.

Murilo se manteve afastado do mundo obscuro do Vale Tudo nos 5 anos seguintes, concentrando os seus esforços no Jiu-Jitsu. Regressou aos ringues no Brasil para lutar contra Joe Charles, um praticante de Judô de 120kg da California. Murilo finalizou a luta no primeiro round com um estrangulamento, lutando no Campeonato Mundial de Jiu Jitsu alguns meses mais tarde, conseguindo a medalha de prata. Mais tarde nesse ano foi convidado para lutar na MARS (Martial Arts Reality Superfighting), uma organização que tentava rivalizar com o UFC na época. Conseguiu chegar na final do torneio contra outra lenda do MMA, Tom Erikson, numa luta que a Sherdog.com chamou de “uma das mais notáveis lutas desse período, pressagiando uma evolução na estratégia dos lutadores no MMA e o desenvolvimento de categorias de peso.” Tom Erikson pesava 45kg mais que Bustamante e a luta terminou num empate.

Bustamante lutou de novo em 1997 (de novo uma vitória) e regressou ao Jiu-Jitsu, tendo um fantástico ano de 1999, vencendo o Campeonato Brasileiro na categoria Absoluto e o Mundial no peso. Voltou a se juntar a uma organização de MMA Americana, o UFC, em 2000 para lutar na ‘terra do sol nascente’, o UFC 25 Ultimate Japan. Retornou à organização depois dela ter sido comprada pelos irmãos Fertitta para lutar contra Chuck Lidell, a primeira derrota de Bustamante, numa luta que muitos acharam que ele tinha vencido (inclusive Dana White, presidente do UFC, foi no balneário para lhe falar isso mesmo depois da luta). Depois dessa luta Murilo mudou de categoria de peso, para um mais adequado peso Médio, onde lhe foi proposto lutar pelo cinturão contra Dave Menne, o Campeão da época. Finalizou a essa luta e ficou de defender o cinturão contra Matt Lindland. A luta foi muito controversa na época, porque o árbitro ‘Big’ John McCarthy parou a luta prematuramente, quando Bustamante tinha um armlock encaixado e se preparava para finalizar Lindland. Por causa dessa interrupção prematura, os lutadores tiveram de voltar a lutar em pé e Bustamante ficou extremamente exaltado, afirmando em uma entrevista que quase saiu fora do octógono mas conseguiu manter a calma e finalizar Lindland de novo, dessa vez na “guilhotina”.

No meio desses feitos impressionantes em sua carreira, a vida de Murilo estava cheia de agitação. Em 2000 houve um rompimento de grandes proporções na Academia Carlson Gracie. A maioria dos alunos do Mestre Carlson Gracie abandonaram o time, alegando que o seu mestre não passava tempo suficiente na academia para os orientar, preferindo passar a maioria do seu tempo na sua nova casa em Chicago. A briga teve também que ver com as bolsas dos lutadores. O primeiro lutador a sair foi um dos pupilos prediletos de Carlson, Vitor Belfort, mas foi rapidamente seguido por outros. Murilo sabia dos problemas mas estava focado na sua luta no Japão (UFC 25 contra Yoji Anjo) e só quando regressou ao Rio de Janeiro depois do combate é que soube que tinha sido expulso da academia. Bustamante não perdeu tempo e rapidamente formou uma nova academia junto com o seu parceiro de treino Sérgio Bolão, chamada Rio Jiu-Jitsu Club. O RJJC teve uma vida curta e pouco tempo depois Murilo se juntou a ‘Bebeo’ Duarte e Zé Mário Sperry para fundar a Brazilian Top Team (BTT), uma academia que juntaria alguns dos melhores lutadores de Jiu-Jitsu do mundo, maioritariamente vindos da Academia Carlson Gracie, mas também lutadores como Alexandre ‘Pequeno’ Nogueira (da luta livre), Fernando ‘Margarida’ que na época tinha planos para entrar no MMA, entre muitos outros. Esse viria a tornar um dos times de mais sucesso no MMA de sempre e junto com a Chute-Boxe (outra academia de MMA brasileira, de Curitiba) deu origem a uma verdadeira dinastia no MMA.

Infelizmente para a BTT, eles concentraram as carreiras dos seus lutadores demasiado no mercado japonês, um mercado que teve uma quebra que nem Wall Street na quinta-feira negra após do fecho do Pride. Sem muitos contatos nos Estados Unidos, a BTT lentamente se quebrou e a união entre os seus líderes se deteriorou. Era necessária uma restruturação e Murilo Bustamente era o homem indicado para essa tarefa. Quebrou a parceria com Sperry e Duarte e iniciou uma longa jornada como único proprietário da BTT. Abandonou as competições devido às necessidades do time, retornando da reforma em 2010, com 43 anos de idade. Lutou contra um muito duro e muito mais jovem JT ‘Money’ Talyor, mas estava lutando bem até que sofreu de labirintite, um problema que ele teve por muitos anos mas essa foi a primeira vez que aconteceu dentro do ringue. Voltou a lutar em 2013 contra o Dave Menne, o mesmo que tinha lutado no UFC, ganhando de novo e fechando sua carreira no MMA com uma brilhante vitória.

Murilo Bustamante x Marcelo Mendes: Luta Livre vs Jiu Jitsu Challenge

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