A Historia do Jiu Jitsu, Academias, Mestres, Competidores, Resultados das Maiores Competições e as Últimas Novidades

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Fernando Augusto, mais conhecido pelo seu apelido “Terere”, é um dos mais talentosos e carismáticos lutadores de Jiu-Jitsu a ter pisado um tatame. Tendo medalhado no mundial, categoria faixa preta, pela primeira vez com apenas 20 anos de idade, Tererê chegou a ser considerado o melhor lutador ‘pound for pound’ do começo da década de 2000, tendo tido inclusive grande impacto como professor ajudando muitos lutadores de nível mundial a melhorar o desempenho, lutadores como: André Galvão, Rubens Charles (Cobrinha), Michael Langhi, Lucas Lepri entre muitos outros.

Fernando “Terere” Jiu Jitsu

Nome Completo: Fernando Augusto da Silva

Apelido: O apelido surgiu pela primeira vez na voz de Muzio de Angelis na Academia Strike onde Fernando treinava quando era faixa azul. Fernando adorava cantar uma canção popular que tinha a palavra “There it is” no refrão que é semelhante a Tererê quando falada. Por essa razão acabou por ficar o seu apelido.

Linhagem/Genealogia: Mitsuyo Maeda > Carlos Gracie > Helio Gracie > Rolls Gracie > Romero Cavalcanti > Alexandre Paiva > Fernando Terere

Principais Conquistas:

  • 6x Campeão Mundial (Faixa preta: 2000, 2003; marrom: 1999, roxa: 1998 peso & absoluto; azul: 1997)
  • 3x Campeão da Copa do Mundo (2002, 2003, 2004)
  • Campeão Brasileiro (2001, 2003 preta – outras faixas 1994,1996,1999)
  • Campeão Pan-Americano (2004)
  • 2x Medalha de Prata no Mundial (2001, 2004 na categoria superpesado*)
  • Medalha de Prata no Pan-Americano – Absoluto (2004)

* Lutou 3 categorias acima do seu peso

Categoria de Peso: Peso Medio – (82Kg – 181lbs)

Time/Academia: Team Alliance; Master Team; Brasa Team e TT.

Mercadoria:

Biografia de Fernando “Terere”

Fernando Augusto “Terere” nasceu no dia 15 de Novembro de 1980 no Rio de Janeiro, Brasil. Não existem muitas informações sobre a infância de “Terere” mas é sabido que ele cresceu num ambiente pobre e difícil numa das maiores favelas do Rio de Janeiro, o Morro do Cantagalo.

Começou a praticar Jiu-Jitsu como forma de fugir ao tráfico e à violência das ruas, treinando com o Mestre “Lelo” e ficando com ele até à faixa verde. Depois, seu professor parou de dar aulas por motivos financeiros e Fernando teve de parar de treinar.

Fernando regressou aos treinos algum tempo depois, após um convite feito por Otavio Couto para vir treinar na Academia Strike, com os professores Roberto Traven e Alexandre Paiva. A sua capacidade atlética fora do comum lhe trouxe sucesso em competição de imediato, vencendo todos os campeonatos que havia, e na época em que recebeu a sua faixa azul já era um dos treinos mais duros da academia (mesmo entre vários faixas pretas de renome presentes). Afirmou em uma entrevista que sempre preferiu lutar por cima porque sofre de uma ligeira claustrofobia e ficar por baixo lhe provocava bastante mal estar, e assim, sempre que caía numa posição difícil ele rolava para fora o mais rápido e da forma mais explosiva possível. Essa caractistica adicoonada ao seu geito carismatico de ser transformaram Tererê num dos atletas mais falados pelos media e pelos fãs do Jiu Jitsu.

Um dos exemplos de como “Terere” era quase venerado pela galera do Jiu Jitsu desde cedo ocorreu em 1998 durante o Mundial, quando ele ainda era faixa roxa. A Alliance e a Gracie Barra estavam empatadas na pontuação de equipes antes da final da categoria absoluto de faixa roxa e nessa final se enfrentaram  “Terere” lutando pela Alliance e o peso pesadíssimo, Rolles Gracie, pela Gracie Barra. Isso não impediu Fernando de se esforçar ao máximo e o Tijuca Tenis Clube quase caiu com as celebrações dos torcedores da Alliance, que estavam apoiando “Terere”. Rolles acabou sendo desclassificado a meio da luta e a Alliance acabou vencendo o campeonato.

Sendo já um atleta de grande sucesso, “Terere” tentou também promover o esporte junto dos menos privilegiados, criando uma academia no Morro do Cantagalo, a favela onde cresceu. O propósito dessa academia era retirar as crianças das ruas e do crime, distraindo a criançada com algo de positivo. A academia acabou se tornando num enorme sucesso. Quando “Terere” se mudou para São Paulo alguns anos mais tarde devido a problemas pessoais, deixando o seu amigo Ricardo Vieira encarregue do projeto (que perdura até os dias de hoje pelas suas mãos).

Em 2000 “Terere” chegou na final da categoria peso médio da faixa preta (no seu primeiro ano nessa faixa) e enfrentou Nino Schembri que tinha finalizado quase todos os seus oponentes a caminho da final e era tido como o favorito. “Terere” não tremeu e usando a sua inteligência (algo pelo qual se tornou famoso ao longo de sua carreira), conseguiu 2 pontos numa queda e se defendeu dentro da guarda de Nino até ao final, vencendo o seu primeiro título na faixa preta e celebrando no final com alguns passos de dança de Elvis Presley, zombando Schembri (que é apelidado de Elvis).

Em 2002 Fernando fez parte de um grupo de faixas pretas, lutadores de ponta da Alliance, que abandonaram a academia após um conflito com um dos líderes, Fábio Gurgel. O problema surgiu devido à opção do time de não participar Copa do Mundo que teriam lugar com uma semana de diferença do Mundial de Jiu Jitsu. Como a Copa do Mundo oferecia a possibilidade de premiação monetária aos competidores e o Mundial não, “Terere” e seus parceiros sentiram que deviam apoiar essa organização (CBJJO – Confederação de Jiu-Jitsu Olímpico) e competir na Copa do Mundo, mas Gurgel era contra porque achava que o Campeonato Mundial era bem mais prestigiante que a Copa. As duas partes não chegaram a um entendimento e a separação foi inevitável. E assim foi formada a Master Team. O time iria se separar mais tarde, deixando “Terere” para formar outro time com seu colega Eduardo Telles, time que se chamou de TT Team.

Em 2003 “Terere” estreou no MMA, com uma luta (a única até agora) contra o veterano Gleison Tibau (que hoje luta no UFC). A luta foi muito dividida mas a decisão acabou por ir para Tibau. Depois dessa curta experiencia no MMA, venceu o seu segundo Campeonato Mundial, chegando à final com Marcelo Garcia e finalizando Marcelo no triângulo (pode ver o vídeo no final dessa página). Em 2004 “Terere” decidiu tentar a sua sorte na categoria de Super Pesado e quase conseguiu o incrível feito de vencer, perdendo apenas na final para Fabricio Werdum.

Após anos afastados do jiu jitsu por problemas de saúde e dependência química, Tererê conseguiu se recompor e em 2012 voltou as competições com sua saúde reestabelecida, lutando (e vencendo) um campeonato no México, lutando inclusive na Copa Pódio em 2013, no desafio por equipes. Tererê abriu inclusivé uma academia no bairro de Ipanema no Rio de Janeiro. Atualmente ele divide sua agenda com seu projeto social para crianças, sua academia e seminários no mundo inteiro.

Foto de capa, autoria de Gracie Mag.

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Terere vs Marcelo Garcia (2003 World Final)

Pe de Pano vs Terere (Brazilian Nationals 2001)

Terere vs Jose Roberto (Golden Cup-Rio Open 2004)

Terere Return 2011

 

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